Ando num período amargo e cheio de ressentimento, coisa um tanto quanto incomum já que minha memória é fraquíssima e a coisa mais fácil do mundo para mim é esquecer quando pisam no meu calo. Mas acho que os últimos calos pisados pregaram bem no porão das minhas lembranças e agora não consigo simplesmente deixar pra lá.
Há algumas semanas cheguei a mencionar em voz alta que minha atitude seria praticamente a de um Dalai Lama e que não faria com os outros o que haviam me feito, só pelas glórias da vingança. Mas Gandhi que me desculpe, não nasci para santa, imaculada e samaritana; e a vingança é sim, uma delícia.
O pagamento? Quero em sangue, por favor.
Não esqueço os elogios falsos, os dedos apontados, as ameaças recheadas de inveja, os prepotentes, os narcisistas, os covardes.
Eu não esqueço os amigos de fachada, os amigos de ocasião, os amigos dos amigos. E agora vou cobrar.
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